Mostrando postagens com marcador dedicação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador dedicação. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 16 de junho de 2009

MUNDO GRANDE (Carlos Drummond de Andrade)

Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos.

Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.

Tu sabes como é grande o mundo.
Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão.
Viste as diferentes cores dos homens,
as diferentes dores dos homens,
sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso
num só peito de homem...sem que ele estale.

Fecha os olhos e esquece.
Escuta a água nos vidros,
tão calma. Não anuncia nada.
Entretanto escorre nas mãos,
tão calma! Vai inundando tudo...

Renascerão as cidades submersas?
Os homens submersos-voltarão?
Meu coração não sabe.
Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.
Só agora descubro
como é triste ignorar certas coisas.
(Na solidão de indivíduo
desaprendi a linguagem
com que homens se comunicam).

Outrora escutei os anjos,
as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente.
Em verdade sou muito pobre.

Outrora viajei
países imaginários, fáceis de habitar,
ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio.

Meus amigos foram às ilhas.
Ilhas perdem o homem.
Entretanto alguns se salvaram e
trouxeram a notícia
que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias,
entre o fogo e o amor.

Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
entre a vida e o fogo,
meu coração cresce dez metros e explode.
-ó, vida futura! Nós te criaremos

FONTE: Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século (Italo Moriconi)

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Jeito de ser

Se eu fosse escolher alguém para ser cópia por um dia eu, com certeza, iria escolher minha mãe. Imagina eu tendo a mesma bravura, o mesmo amor, o mesmo carinho, a mesma dedicação, etc. dela? Nossa, iria ser legal ter dois filhos para cuidar e um marido que me ama muito. Ter várias amigas no trabalho e ser realmente amada por elas, ter dinheiro para gastar com o que eu quisesse e não gastar comigo mesma, poder dirigir e gastar quanto eu quiser no celular.
Bem, existem algumas coisas que eu já tenho, mas de uma maneira diferente. Tenho uma mãe e um pai que me amam muito, tenho também nove amigos maravilhosos, um irmãozinho pra ser um saco comigo quando ele quiser e que, além de ser chato, me ama muito e é muito amado. Tudo bem, não posso dirigir e nem gastar o quanto eu quiser no celular, mas eu posso dormir durante uma longa estrada, no banco de trás do carro, e tenho o que preciso para gastar na conta do celular. Tá ok, não tenho meu próprio dinheirinho, mas eu tenho o dinheiro para guardar e não gasto com roupas, comidas e outras necessidades, pois quem gasta com isso são meus pais. Enfim, eu e minha mãe, podemos ser diferentes, mas temos muitas coisas em comum (se é que dá para entender...). Posso não ter a bravura dela, mas tenho o suficiente para enfrentar meus problemas (com uma pitadinha de ajuda, é claro!), também não tenho sua dedicação, mas acho que o que eu tenho serve até os 14 anos, mais ou menos, mas pode apostar que eu tenho o carinho e o amor dela pelas pessoas que eu gosto. Só espero que, quando eu estiver adulta eu tenha as mesmas virtudes da minha mãe. Mas, por enquanto, eu estou feliz assim, do jeito Juuh Costa de ser.

Juuh Costa